sábado, 11 de outubro de 2008

Aspectos Críticos em Natação


Existem alguns detalhes técnicos em cada um dos quatro nados que particularmente classifico como críticos. É claro que, em se tratando movimentações tecnicamente corretas e hidrodinamicamente eficazes, todo detalhe é, digamos, relevante e, por isso, merecem atenção de alunos e professores. Mas entre tudo que é relevante, podemos certamente destacar alguns que são especialmente importantes e, dessa forma, requerem atenção redobrada de nós. Mas ainda entre os importantes, podemos eleger os críticos, para os quais devemos atentar desde as primeiras abordagens, até a sua fixação final.

Defino como críticos os detalhes técnicos que combinam duas características: forte influência na eficácia final no nado e, ao mesmo tempo, difícil assimilação por grande número de alunos. Portanto, um detalhe técnico significativo para um determinado nado, mas que pouca gente erra, não classifico como crítico. E um detalhe que muitos não observam, mas que não é assim tão relevante para o desempenho final do nado, também não considero crítico.

Já em post anterior deste blog deixei claro que assuntos técnicos costumam ser muito polêmicos mesmo entre nós, profissionais das piscinas. Portanto aceito de antemão que cada um tenha a sua própria relação de detalhes críticos, e não vejo mal nenhum nisso: cada um atua em um contexto profissional diferente e é natural que desenvolvamos visões diferentes, mesmo sobre este assunto tão específico.

Gostaria apenas de apresentar a minha lista pessoal para que outros possam apropriar-se dela caso a considerem pertinente. Para não me estender por demais, elegerei um único aspecto crítico para cada nado.


1. Nado CRAWL: não finalizar a fase submersa da braçada junto às coxas. Há evidências científicas que essa fase final é a mais propulsiva de todo o ciclo de braço e no Crawl, cerca de 80% da propulsão total do nadador é obtido com a ação de braços. Ainda assim, é impressionante como tem aluno que não completa a ação submersa e inicia a recuperação de forma prematura. Este erro costuma aparecer também no Borboleta com efeitos quase tão desastrosos como os vistos no Crawl.


2. Nado COSTAS: falta de "rolamento" de ombros. O rolamento de ombros no Costas é uma ação que ao mesmo tempo diminui o atrito frontal do nadador contra a água, reduzindo significativamente o arrasto total do nado, e funciona como elemento posicionador dos braços, propiciando tanto uma boa recuperação do braço cujo ombro está emerso, como uma boa tração e empurre do braço oposto (submerso). Apesar disso, pouquíssimos nadadores fazem este rolamento com a amplitude necessária sem muita correção e exercícios específicos.


3. Nado PEITO: redução ou completa ausência da fase de deslize logo após a ação de pernas. Talvez influenciados pelos demais nados, cuja propulsão provém majoritariamente da ação dos membros superiores, a grande maioria dos nadadores de peito tende a ser muito ansiosa para reiniciar uma nova puxada de braços após cada ação de pernas, não deixando que ocorra a famosa “pausa de deslizamento”. O atual recordista olímpico dos 100m e 200m Peito, o japonês Kosuke Kitajima (na foto ao lado), tem um nado que é pedagógico neste detalhe. Em todas as provas em que já o assisti, ele é o que mais desliza e obtém sempre os melhores tempos.


4. Nado Borboleta: executar o nado sem a contribuição efetiva da golfinhada. Seja devido a uma golfinhada com pouca amplitude e (por isso mesmo) pouco eficaz, seja por executá-la de forma descoordenada com a ação de braços, é enorme o número de nadadores que executa um nado Borboleta praticamente só ás custas dos braços. Não deixa de ser uma maneira viável de nadar, mas extremamente cansativa e pouquíssimo eficiente. Exercícios em separado (visando amplitude e freqüência corretas da golfinhada) e de coordenação geral devem ser feitos exclusivamente com este foco: nadar o Borboleta utilizando-se corretamente seus dois elementos propulsivos: braçada + golfinhada.

Nenhum comentário: