quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Natação Inclusiva: sensibilidade e alguns cuidados simples


Hoje um assunto bem delicado: a Natação Inclusiva na prática. Para quem está trabalhando com Natação, muitas serão as oportunidades em que aparecerão pais querendo matricular seus filhos para aprenderem a nadar, mas apresentando as ditas “necessidades especiais”: síndrome de Down, seqüelas de anóxia de parto, surdez, nanismo, paralisia cerebral leve a moderada, malformações congênitas, etc.
Quando uma situação dessas acontece, é preciso muita cautela e sensibilidade para tratar a questão, pois ela apresenta de pronto, dois aspectos a serem considerados: um emocional e outro racional. No aspecto emocional é preciso considerar o potencial de integração social deste aluno na turma de crianças normais e as possíveis reações de rejeição que ela pode causar (nos colegas e em seus pais).
Esta possibilidade integração será tanto maior quanto as capacidades do aluno de: A) comunicar-se razoavelmente com colegas e professor, B) de portar-se com um mínino de disciplina e organização em aula, C) não comprometer a qualidade da água (alguns tipos de deficiências podem provocar regurgitações e perda de controle dos esfíncteres – bexiga e ânus principalmente).
Neste aspecto, tenho tido o prazer de constatar que, respeitadas as condições acima, a resistência ao convívio com crianças portadoras de necessidades especiais tem caído fortemente. A transmissão e repercussão das Paraolimpíadas nos últimos anos e campanhas nos meios de comunicação (tivemos até uma novela que já abordou o tema) têm ajudado bastante, inclusive com o envolvimento de personalidades como o ex-jogador Romário (que tem uma filha Down) entre outros. Nestes anos todos lidando com situações como essa, percebo que nem mesmo nas Academias Comerciais justifica-se mais a recusa desses alunos sob a justificativa de “espantar os demais alunos”.
No aspecto racional (ou mais propriamente, no prático) há alguns cuidados que julgo indispensáveis para que o processo de inclusão através da Natação seja uma experiência prazerosa e construtiva para todos:

1. A avaliação do potencial de integração destes alunos deve ser feita juntamente com os pais, de forma bem realista e de modo a que fique claro a sua disposição em aceitar a criança, desde que aquelas condições mínimas existam. É preciso que a inclusão da criança tenha um mínimo de possibilidades de sucesso;
2. Crianças com necessidades especiais devem ser alocadas, de preferência, apenas uma em cada turma. Dessa forma, além de caracterizar-se uma inclusão de fato, por mais que ela absorva as atenções do professor (o que geralmente ocorre no início dos trabalhos), as demais crianças nunca ficarão abandonadas de todo;
3. Deixe claro com os pais e responsáveis pela criança especial que o seu Curso não foi planejado para receber alunos com estas necessidades e que, por isso, muito provavelmente o ritmo e as características do progresso dela serão diferentes das demais. Nas avaliações periódicas esta premissa deve estar sempre em pauta;
4. Os profissionais que vão trabalhar com essas crianças devem ser preparados com leituras, esclarecimentos dos pais, acesso aos exames da criança, etc. No caso dos surdos, por exemplo, noções da linguagem LIBRAS seriam importantes;
5. Todos (profissionais de Educação Física, recepcionistas, coordenação) devem ter um discurso bem afinado para rechaçar com elegância e firmeza qualquer reação anacrônica de preconceito, venha ela de quem vier: coleguinhas alunos ou seus pais;
6. De início, sempre faça um acordo de um período experimental de pelo menos 30 dias. Depois disso, pais, professores e a Coordenação devem sentar para nova avaliação sobre a pertinência ou não de prosseguir com a iniciativa e para estudar eventuais correções de rumo no trabalho feito até então.

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